O século XXI vem presenciando uma aceleração do movimento: pessoas, imagens, informações, mercadorias, tudo parece mover-se de forma mais dinâmica e complexa. Mudanças tecnológicas, culturais e sociais nos diversos sistemas que controlam e permitem o movimento, seja ele físico ou virtual, vêm transformando suas condições e possibilidades e incidindo cada vez mais sobre os sujeitos.

Cabe, então, ressaltar que a mobilidade é percebida e vivenciada de diferentes maneiras. Enquanto para alguns sujeitos o movimento é mais rápido e frequente, permitindo que percorram distâncias cada vez mais extensas, em um espaço de tempo menor, para outros, mover-se é algo turbulento, tendo em vista as “rugosidades” (Santos, 2003) – condições preexistentes em cada lugar (recursos materiais, organização social, econômica e cultural) – que se interpõem a esse espaço de fluidez. A ideia de que há um grupo social que detém as condições e as possibilidades do movimento é compartilhada por Elliott e Urry (2010). No livro “Mobile Lives”, publicado em 2010, os autores nos falam de uma elite – a quem nomeiam “rich north” – que tem na mobilidade o principal traço de seu estilo de vida.

O impulso inicial para o movimento desses sujeitos é o trabalho, que os leva a estar em diferentes lugares ao longo de sua jornada produtiva. Porém, essa mobilidade incide também sobre as horas não dedicadas ao trabalho, ou seja, sobre a vida privada dos sujeitos. Diante desse contexto, é possível afirmar que a produção e a disseminação de conteúdos em movimento alteram de forma significativa não só processos comunicacionais no contexto interpessoal, mas também os processos que se dão em torno do universo do trabalho.

Ao ampliar as possibilidades de interação, os dispositivos móveis acabam por engendrar uma sociedade potencialmente sempre conectada e disponível para ingressar em processos interativos e produtivos. Tal conformação, parece adequar-se às expectativas das organizações em relação à dedicação e ao envolvimento dos sujeitos que dela fazem parte.

A análise de fenômenos baseados na interação entre sujeitos e organizações, tendo em vista a comunicação em rede e as possibilidades que ela oferece para a troca de informações e criação de novos canais de interação, faz-se essencial para o entendimento das organizações e seus processos comunicacionais contemporâneos. Se num momento anterior, a ideia de organização estava calcada na territorialidade, mais contemporaneamente, a comunicação organizacional precisa entender ou lidar com as organizações enquanto fluxo. Nesse sentido, o que pretendemos neste projeto é formular questões que irão tensionar as relações ali colocadas sob o ponto de vista cultural, econômico, político, social. Quais os caminhos que os processos de comunicação organizacional estão trilhando? Que pistas eles nos trazem sobre formas emergentes de interação e relacionamento entre seus públicos?

As discussões em torno da presença ubíqua das tecnologias no dia a dia das organizações, com destaque para as mídias móveis, levantam importantes questões sobre como o uso de determinadas tecnologias desfoca, mina, ou mesmo transforma as noções de público e privado e a noção de lugar. Há ainda questões importantes sobre vigilância e controle que se apresentam de formas por vezes ingênuas ou bem-intencionadas – facilitar o acessa a informações, estreitar a comunicação entre os diversos setores das organizações, segmentar os fluxos -, mas que deixam transparecer a incisiva vigilância sobre esse sujeito.

Sendo assim, a análise de fenômenos baseados na interação entre sujeitos e organizações, a partir dos relatos feitos por sujeitos que vivenciam essas novas dinâmicas organizacionais, faz-se essencial para o entendimento das organizações e seus processos comunicacionais no século XXI.

Coordenação: Camila Maciel Campolina Alves Mantovani
Bolsista: Isadora Ferreira
Edital 05/2016 ADRC/PRPq

 

bandeira-reino-unido-1200x675 In English:

Subject in motion: narratives and subjectivities in new organizationals dynamics

The 21st century has witnessed an acceleration of movement: people, images, information, goods, everything seems to move in a more dynamic and complex way. Technological, cultural and social changes in the various systems that control and allow movement, be it physical or virtual, have been transforming their conditions and possibilities and increasingly affecting individuals.

It should be noted, then, that mobility is perceived and experienced in different ways. While for some subjects the movement is faster and more frequent, allowing them to travel increasingly distances, in a shorter period of time, for others, moving is somewhat turbulent, in view of the “roughness” (Santos, 2003) – pre-existing conditions in each place (material resources, social, economic and cultural organization) – which stand in the way of this fluidity space. The idea that there is a social group that holds the conditions and possibilities of the movement is shared by Elliott and Urry (2010). In the book “Mobile Lives”, published in 2010, the authors tell us about an elite – whom they name “rich north” – whose mobility is the main feature of their lifestyle.

The initial impulse for the movement of these subjects is work, which leads them to be in different places throughout their productive journey. However, this mobility also affects hours not dedicated to work, that is, the subjects’ private lives. Given this context, it is possible to affirm that the production and dissemination of moving content significantly changes not only communicational processes in the interpersonal context, but also the processes that occur around the universe of work.

By expanding the possibilities for interaction, mobile devices end up creating a society that is potentially always connected and available to enter interactive and productive processes. Such a conformation seems to fit the organizations’ expectations regarding the dedication and involvement of the subjects who are part of it.

The analysis of phenomena based on the interaction between subjects and organizations, with a view to network communication and the possibilities it offers for the exchange of information and the creation of new channels of interaction, is essential for the understanding of organizations and their processes contemporary communicational skills. If in an earlier moment, the idea of ​​organization was based on territoriality, more contemporaneously, organizational communication needs to understand or deal with organizations as a flow. In this sense, what we intend in this project is to formulate questions that will tension the relations placed there from the cultural, economic, political, social point of view. What paths are the organizational communication processes taking? What clues do they bring us about emerging forms of interaction and relationship between their audiences?

Discussions around the ubiquitous presence of technologies in organizations’ daily lives, with emphasis on mobile media, raise important questions about how the use of certain technologies blurs, undermines, or even transforms the notions of public and private and the notion of place. There are still important questions about surveillance and control that arise in ways that are sometimes naive or well-intentioned – facilitating access to information, narrowing communication between the different sectors of organizations, segmenting flows – but which reveal the incisive surveillance on that guy.

Thus, the analysis of phenomena based on the interaction between subjects and organizations, based on the reports made by subjects who experience these new organizational dynamics, is essential for the understanding of organizations and their communication processes in the 21st century.

Coordination: Camila Maciel Campolina Alves Mantovani

bandeira-da-frança-grande-300x199 En Français:

Sujet en mouvement: récits et subjectivités dans les nouvelles dynamiques organisationnelles

Coordination: Camila Maciel Campolina Alves Mantovani