Este projeto, vinculado ao Núcleo de Pesquisa em Conexões Intermidiáticas (NucCon) / Centro de Convergência de Novas Mídias (CCNM / UFMG), visa a ampliação de aspectos teórico-metodológicos para a análise de perfis de pessoas comuns, na expressão de Michel de Certeau (1998), em redes sociais online, tais como Twitter e Facebook, voltados para a divulgação do respeito à deficiência e contra o preconceito. Nosso objetivo é compreender as especificidades de dinâmicas comunicacionais que, paradoxalmente, dão visibilidade às pessoas com deficiência e, simultaneamente, reforçam imaginários de cunho pejorativo. Por meio de um recorte empírico pretendemos respeitar as singularidades do que denominamos corpus sensível, isto é, um conjunto de materiais de pesquisa, capaz de despertar sentimentos diversos em função dos sujeitos que o compõem, da fragilidade ou vulnerabilidade social, da dificuldade para a obtenção de dados, dos dilemas éticos e das reações institucionais que possam vir a surgir. Os procedimentos de pesquisa a serem consolidados, por meio de etnografia online, foram desenvolvidos na nossa tese de doutoramento intitulada “Estética da diferença: contribuições ao estudo da deficiência e das redes sociais digitais como dispositivos de mise en scène”. Pretendemos identificar, descrever e analisar as dinâmicas comunicacionais e as características discursivas de perfis sobre pessoas com deficiências. Esperamos que a pesquisa em pauta possa ajudar, em certa medida, a evidenciar a importância das redes sociais na compreensão das interações sociais que extrapolam a esfera privada, um fenômeno cada vez mais frequente na sociedade. É possível que ela venha a oferecer uma contribuição para a ampliação do conhecimento teórico sobre as redes sociais e o discurso sobre a deficiência, que se encontra em estágio incipiente na comunidade acadêmica brasileira. Pensando com Santos & Lorent, acreditamos que a universidade tem um papel político importante e constitui cenário, que permite problematizar e discutir a diferença (SANTOS & LORENT, 2012), seja em suas ações afirmativas ou por meio de projetos de pesquisa. De que modo as experiências comunicacionais de pessoas comuns, em redes sociais online contribuem para os tensionamentos discursivos de respeito e, paradoxalmente, de preconceito, sobre pessoas com deficiência? Os esforços individualizados de pessoas com deficiência, que convivem com a invisibilidade social, constituiriam imaginários sobre si mesmo e sobre o outro, tornando a própria deficiência e as redes sociais online, protagonistas de narrativas que transitam entre perfis de movimentos sócio-políticos diversos. Do ponto de vista teórico, aprofundaremos o conhecimento sobre as redes sociais online e a deficiência, que se encontra em estágio incipiente na academia brasileira. Para tal, assumimos o modelo social de deficiência, proposto pela Organização Mundial de Saúde (OMS), que considera as suas singularidades, e não as suas patologias. As redes sociais online são consideradas em nossa pesquisa para além de uma mera fonte de dados de onde se coleta um corpus. Por esse motivo, registramos que a pesquisa de inspiração etnográfica nos traz a possibilidade de aprofundamento tanto na metodologia de pesquisa em si quanto em questões comunicacionais relacionadas à deficiência, que ainda não foram descortinadas. Entendemos que a teoria e a nossa investigação empírica estão imbricados, sem fronteiras delimitadas, o que nos aponta para pressupostos teórico-metodológicos que se constituem em si mesmos. Acreditamos respeitar, em certa medida, o lema utilizado na luta pelos seus direitos das pessoas com deficiência, qual seja, “nada sem nós para nós”.

Coordenação:  Sônia Caldas Pessoa

Integrantes: Lívia Gomes Laudares – (bolsista Fapemig de Iniciação Científica)