Profa Sônia Pessoa e Prof Jean Luc Moriceau

Entre outubro e novembro de 2019, o Afetos: Grupo de Pesquisa em Comunicação, Acessibilidade e Vulnerabilidades promoveu conferência e curso com o pesquisador Jean-Luc Moriceau. A conferência sobre Escrita dos Afetos: Escrita Performance ocorreu no dia 30 de outubro de 2019, quarta-feira, 14h, no auditório Sônia Viegas, com tradução simultânea do francês para o português.  Já o curso com Moriceau, intitulado Afetos, teses e argumentos, gratuito e aberto ao público, foi promovido nos dias 06 e 07 de novembro na Sala da Congregação. Os encontros, organizados pelos professores Ângela Marques (Comunicação e Instituições), Carlos Mendonça (Núcleo de Estudos em Estéticas do Performático e Experiência Comunicacional) e Sônia Caldas Pessoa (Afetos: Grupo de Pesquisa em Comunicação, Acessibilidade e Vulnerabilidades), têm o apoio da Diretoria de Relações Internacionais (DRI) e da Embaixada da França no Brasil.

Abaixo, o resumo com a proposta de Jean-Luc Moriceau:

Escrever hoje nas ciências humanas nos coloca frente a uma dupla impossibilidade. Por um lado, a impossibilidade de não falar do vulnerável, de não ser abalado pelas situações contemporâneas, ainda que reconhecendo a impossibilidade de descrever o todo de uma condição, de querer explicar ou mesmo compreender. Por outro lado, a impossibilidade de falar do vulnerável, sem de uma certa forma falar por elx, sem se colocar num centro que o/a exclua numa periferia, sem subalternizar, reduzir, fixar. Examinaremos algumas possibilidades abertas pela virada afetiva para nos colocarmos em pesquisa, pesquisar frente  a rostos, abertos ao estranho e ao estrageiro, sensíveis ao frágil, numa postura modesta pronta para acolher, considerar e aprender pela escuta e pelo encontro. Em primeiro lugar, interrogaremos-nos sobre as possibilidades de uma escrita-performance: motivada e guiada por afetos, escrita-movimento, escrita-tremor, escrita feminina, escrita menor, preocupada com a sua ética e com a sua política. O que pode dizer uma escrita que se tenta fora do falogocentrismo, qual é a sua voz, a sua carne, o seu rosto, qual lugar e autoridade para seus autores, que efeitos sobre seus leitores? 

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