44 anos após a morte do jornalista e professor Vladimir Herzog, foi realizado em São Paulo, na última quinta-feira (24), a cerimônia de premiação do 41º Prêmio Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos, um dos mais importantes da área de comunicação do Brasil. Durante a solenidade foram revelados os estudantes vencedores do 11º Prêmio Jovem Jornalista Fernando Pacheco Jordão, que é organizado pelo Instituto Vladimir Herzog desde 2009. Nesta edição, que teve como tema “A face humana dos movimentos imigratórios e de refúgio e seus reflexos na sociedade brasileira”, três pautas, entre 92, foram selecionadas pelo país no mês de agosto, sendo que uma delas foi a do estudante de Jornalismo da UFMG Gabriel Faleiro, que propôs acompanhar o processo de adaptação de venezuelanos em Belo Horizonte. 

O desenvolvimento da reportagem, que durou cerca de dois meses, contou com a orientação da professora do Departamento de Comunicação Social da UFMG e coordenadora da Rádio Terceiro Andar Sônia Pessoa e mentoria da jornalista do IVH Angelina Nunes, que faz um balanço sobre a iniciativa. “O Prêmio Jovem Jornalista mostra que há uma produção forte e muito boa dentro das universidades, além de possibilitar uma aproximação da academia com o mercado de trabalho’, destaca Angelina.

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Foto: Alice Vergueiro

Para Sônia, que também é coordenadora do curso de graduação em Jornalismo da UFMG, a educação e o jornalismo são campos fundamentais para o amadurecimento da democracia. “É gratificante orientar trabalhos de jovens que conseguem associar discussões tão relevantes à produção prática, se permitindo afetar por problemas sociais que são de todos nós. Talvez esse seja um dos papéis mais importantes do ensino na universidade pública e de qualidade”.

Gabriel Faleiro, que está no último período do curso de Jornalismo e foi trainee na TV UFMG durante um ano e quatro meses, acompanhou a rotina de dois venezuelanos recém-chegados a Belo Horizonte durante cerca de um mês. O Juan Carlos e o José Angel contaram sobre a motivação deles em sair da Venezuela para vir ao Brasil, falaram sobre as principais dificuldades enfrentadas por eles e mostraram como estava sendo o processo de adaptação deles na cidade. Fontes como a professora do Departamento de Demografia da UFMG Gisela Zapata também foram entrevistadas nesse período.

No discurso de agradecimento feito durante a cerimônia realizada na noite dessa quinta-feira no auditório Tucarena, da PUC São Paulo, Gabriel agradeceu à UFMG e a todos os professores da instituição e ressaltou a importância do prêmio em tempos em que o jornalismo e a educação estão em xeque. “Este prêmio é resistência contra a desinformação, contra os ataques a jornalistas e contra os cortes na educação”, finalizou.

O especial “Nossa vida no teu seio: o recomeço de imigrantes venezuelanos em Belo Horizonte” está disponível no site e na página do Facebook da Rádio Terceiro Andar.

O Prêmio Jovem Jornalista é uma homenagem ao jornalista Fernando Pacheco Jordão, que sempre se preocupou com o desenvolvimento dos jovens profissionais de imprensa, e a Vladimir Herzog, cuja vida foi dedicada a promover um jornalismo de qualidade, verdadeiro e, acima de tudo, responsável.

Durante a cerimônia também foram entregues troféus e certificados para jornalistas que se destacaram no Brasil nos últimos 12 meses, nas categorias arte, fotografia, texto, vídeo, áudio e multimídia. Além disso, os jornalistas Patrícia Campos Mello da Folha de S. Paulo, Glenn Greenwald do The Intercept Brasil e Hermínio Sacchetta (in memoriam), receberam o Prêmio Especial Vladimir Herzog 2019, que homenageia pessoas que se destacaram por relevantes serviços prestados às causas da Democracia, Paz e Justiça.

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Foto: Alice Vergueiro

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